De tudo um pouco

Divagações, opiniões, reflexões, livre-pensar…

Vivendo e aprendendo

Posted by Marcelo Dutra em sexta-feira, 9 maio 2008

Confesso que por mais que tenha lido e ouvido conceitos de ética e moral, até hoje não sei bem fazer a distinção entre ambos. Pouco importa, parece que sáo a mesma coisa. Compreendo a ética como sendo um comportamento voltado para o bem, para o respeito ao outro, como uma coisa que, pondo em prática, não prejudica outras pessoas. Algo que é mais fácil sentir que explicar. Os exemplos estão ao nosso redor. De um lado a mentira, o roubo, a corrupção, a violência, o preconceito. De outro a verdade, o trabalho, o respeito, a prática do que chamamos de bem. Fácil assim?

Não. Há situações nebulosas, situações-limite, onde esta linha divisória não é muito clara. Ou porque não temos opinião formada ou porque tentamos defender e justificar uma falha de nossa parte. A verdade é que, na maioria das vezes, não ético é o outro.

Assisti recentemente na televisão uma palestra proferida por uma professora de filosofia, cujo tema era prostituição e homossexualismo à luz da ética. Eu sempre achei que a prostituição, mesmo sendo considerada a mais antiga profisão do mundo, não era bem uma profissão, da forma como estamos acostumados a pensar. E também que não era uma coisa muito ética vender o próprio corpo para o deleite dos outros. Historicamene o ato sexual foi mais ligado ao fator reprodução e perpetuação da espécie, embora associado ao prazer. Hoje em dia, com o avanço da ciência, nem é necessário sexo para a reprodução. Torna-se inevitável a associação de sexo com prazer. A prostitução, desde que adulta e consentida, de fato não prejudica ninguém. A palavra “consentida” é fundamental, pois é a diferença entre a normalidade e o crime de estupro. À luz da ética ou moral, não há qualquer transgressão.

Não que eu saia agora fazendo apologia da prostituição, aconselhando as pessoas a se prostituírem. Longe disso. Mas começo a ver de uma forma diferente estas questões. O preconceito ainda é uma força arraigada em nossas mentes por conta de anos de convivência. Reconhecer isto já é um grande passo. Prostituição é apenas um exemplo. Muitas outras situações se aplicam.

Vivendo e aprendendo!!!

Abraços…Marcelo

6 Respostas to “Vivendo e aprendendo”

  1. Boa tarde,

    Claro que, se discutirmos um assunto como este, primeiramente devemos nos desprender de tudo aque aprendemos até o momento e nascer novamente, para trazer uma luz diferente às nossas opiniões.

    Atualmente, vemos sim esta “profissão”, “escolha” ou como quiser chamar, de uma forma vulgar e até mesmo imoral.

    Eu não julgo a pessoa, se é imoral ou não. Tenho sim, apenas a opinião de que é uma forma covarde de se enfrentar a vida. Claro que, não devemos esquecer os motivos que levaram as pessoas a escolher esta forma de vida, seja um abuso sexual, seja por exploração ou por livre e espontânea vontade.

    Mas acredito que há maneiras de vencer e tornar-se quem desejas, sem a necessidade de tornar-se uma mercadoria na mão das pessoas para ter um objetivo alcançado.

    Abraços…

  2. Marcelo Dutra said

    Caro Celso
    Em primeiro agradeço sua visita e seus comentários. Esta é mesmo minha intenção: promover o debate e permitir a livre expressão de idéias, sem julgamentos ou censuras.
    Procurei me abstrair das causas e focar apenas no fato, olhando-o à luz da ética em sua essência. Também reconheci minha dificuldade em lidar com isto, mas não pude deixar de concluir que não via transgressão à ética ou moral.
    Acho que temos um tema com ampla possibilidade de discussão posterior: as causas da falta de ética ou a ética em situações limite. Ainda estou refletindo sobre o caso Dilma Rousseff, que afirmou ter mentido para seus torturadores.
    Abraços…Marcelo

  3. marcia said

    É meu irmão…esse assunto é polêmico mesmo, mas a minha convivencia com algumas das mazelas do mundo, na secretaria onde trabalho, ja me trouxeram muitas lições aprendidas. Uma delas é mesmo reconhecer a prostituicão como uma profissão em que trabalha-se muito e ganha-se pouco ( na maioria das vezes, é claro)e ainda que nem todas as prostitutas escolheram essa profissão por falta de opção, porque foram vítimas de abuso, estupro, exploração, etc. Por mais incrivel que possa parecer algumas gostam do que fazem. Veja o caso daquelas garotas de programa classe media, bonitinhas, arrumadas, que pagam a faculdade com o que ganham na profissão. Elas compreendem que auqele trabalho pode ser comparado aos trabalhos temporarios nas lojas do shopping, etc só que os programas sao muito mais divertidos, e glamurosos. pois é…nesse campo também esta prsente uma luta de classes e mil desigualdades. Nao acho que é falta de etica exercer essa profissão. Entendo que o tema tem mais a ver com moral, dada a influencia religiosa na formação da cultura brasileira.Na minha opinião a etica ou a falta dela esta muito mais presente no comportamento dos homens que procuram as profissionais, geralmente casados, que muitas vezes humilham e exploram essa mulheres. A atitude masculina també é imoral se olharmos os fatos do ponto de vista da igreja, apesar da condescendencia da sociedade para com os homens que traem, por considerarem que é da sua natureza.
    A questao do homosexualismo é na minha concepção uma questao muito mais delicada porque muito menos aceita pela sociedade. Recentemente tive a oportunidade de trabalhar num setor que trata desse tema o que me fez ler, estudar, trocar ideias e compreender melhor esse universo. Na realidade, o pre conceito corre solto nessa seara. E nós ainda nao entendemos que a humanidade exige que aceitemos as diferenças.Também nao estou fazendo apologia à prostituição nem ao homosexualismo, mas hoje tenho certeza que a humanidade precisa compreender e respeitas as diferenças.
    Abração

  4. Marcelo Dutra said

    Minha querida mana
    Não imaginas a felicidade de ver-te novamente aqui no meu blog, após uma temporada ausente. Seus comentários são extemamente pertinentes e demonstram sua vivência e experiência batalhando na área social.
    Obrigado pela volta e pela contribuição a este debate.
    Abraços…Marcelo

  5. Ana Carolina said

    Simplesmente Perfeito.
    É motivador ler e notar que ainda existem pessoas conscientes que respeitam a individualidade e a vontade das pessoas. Acredito que nesses dois casos citados (prostituição e homossexualismo) não cabe às pessoas jugarem se é ético ou não pois trata-se de uma opção de cada um e que não fere as pessoas em geral. Acredito que é muito mais um caso moral ou não, por relacionar-se à assuntos religiosos e tudo mais. Por isso não devemos dizer se é ético ou não.

  6. Marcelo Dutra said

    Ana Carolina
    Obrigado pela visita e pela contribuição. Minha intenção é esta mesmo: fomentar o debate e a reflexão, sem a pretensão da verdade. Estes assuntos são polêmicos mesmo e cabe a nós formar uma opinião própria, não necessariamente verdadeira, sobre o tema. Se não agride nossa consciência não temos razão para contestar. A recíproca é verdadeira.
    Um grande abraço…Marcelo

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