A vida é um evento temporal. Tem início, meio e fim. Porém este cronograma não é tão definido em termos de datas. Alguns marcos são importantes para seu acompanhamento. O primeiro deles é o nascimento, marco inicial. O último é o óbito, marco final. Entre os dois existem diversos outros, que registram fases ou etapas vencidas: 18 anos, marco de passagem para a vida adulta. 30 anos, marco de plenitude. 50 anos, marco de maturidade. Existem outros marcos não ligados à idade. Casamento, formatura, bodas (de prata, de ouro, de jade, de diamente). E existem os rituais, que acho importantes, que dão forma a cada um dos marcos. Também existem os marcos de tristeza, que representam eventos inesperados e indesejados. Estes seriam as grandes perdas, as derrotas, as dificuldades. Separações conjugais, separações de filhos, desemprego, crises financeiras, acidentes de saúde.
No post anterior contei sobre a festa de Bodas de Jade dos meus pais. Logo após o evento, na véspera do Natal, meu pai sentiu problemas de saúde que o levaram a uma cirurgia cardíaca no dia 7 de janeiro, quando implantou uma ponte de safena e uma de mamária. Há 15 anos ele havia se submetido a uma cirurgia semelhante, implantando na época duas pontes de safena. Desta vez a cirurgia foi mais delicada e apresentou risco muito maior, em virtude da idade avançada (85 anos). Estas duas cirurgias exemplificam o que chamo de marcos de tristeza. Dia 7 de fevereiro fêz portanto um mês desde a última operação, sendo mais um marco, desta vez de alegria. Alegria porque significou uma vitória de vida, demonstrada pela excelente recuperação pós-operatória. Ainda encontra-se em repouso e observação, é verdade, mas suas condições clínicas são muito boas, não existem sequelas, a cicatrização está absolutamente normal e não ocorreram infecções. Aguardei todo este mês para poder escrever o que estou escrevendo agora.
Estas foram as razões para o título deste texto. A dinâmica da vida mostra-se imprevisível. Dias alegres sequenciam dias tristes e vice-versa. A vida mostra, em curto período de tempo, toda sua fortaleza e toda sua fragilidade. Mas é necessário que o depositário desta vida faça sua parte, não se entregando e buscando no mais profundo interior forças para lutar pela dádiva maior que é a vida.
Em nome da família, quero expressar nosso agradecimento a todos que de alguma forma contribuíram para este sucesso. Os médicos e toda a equipe médica de apoio. Os amigos que contribuiram com solidariedade, conforto e orações. Os irmãos e parentes que acompanharam diuturnamente as difíceis horas da cirurgia e do pós-operatório na UTI. E Àquele que tudo vê e tudo sabe, que determinou não ser ainda a hora do marco final.
Abraços…Marcelo